domingo, 6 de abril de 2014

Núcleo de Artes e Letras e Labirinto publicam peça sobre Carlos Costa



“Diz-lhes que não falarei nem que me matem” é nome de uma peça de teatro escrita e encenada por Marta Freitas, “sobrinha-em-neta” do combatente antifascista Carlos Costa, natural de Fafe e que se salientou ao serviço do Partido Comunista Português nos últimos 70 anos.
É um símbolo dos caminhos da liberdade que desaguaram no 25 de Abril de 1974.
Por ser fafense e no âmbito da comemoração dos 40 anos do 25 de Abril, o Núcleo de Artes e Letras de Fafe e a editora Labirinto decidiram editar em livro a peça de Marta Freitas que estará disponível no final da próxima semana.
A peça será exibida e o livro disponível em 12 de Abril, em Matosinhos, no Cine- Teatro Constantino Nery e em 25 e 26 de Abril, em Almada, no Teatro Municipal Joaquim Benite, sempre às 21h30.
O tema central da dramaturgia de Marta Freitas é a vida prisional de Carlos Costa, ao longo de 15 anos, nos cárceres do fascismo.
A obra será apresentada em Fafe em 24 de Abril, no âmbito de um sarau sobre o 25 de Abril, que inclui um recital de poesia, promovido pelo Núcleo de Artes e Letras.
Eventualmente, ainda poderá vir a ser apresentada no Forte de Peniche, de onde Carlos Costa se evadiu em 3 de Janeiro de 1960, juntamente com outros seus camaradas, entre os quais Álvaro Cunhal.
A peça foi estreada em Guimarães, Capital Europeia da Cultura, a 15 de Março de 2012. Posteriormente, esteve em cena no Teatro de S. João, no Porto (10 dias), nos teatros de Felgueiras e de Fafe (aqui em 24 de Abril de 2013) e na Festa do Avante.
Regressa agora à cena.

domingo, 30 de março de 2014

Núcleo de Artes e Letras de Fafe venceu prémio do Associativismo 2014

No âmbito da II Gala do jornal Notícias de Fafe, o Núcleo de Artes e Letras de Fafe teve a honra de receber o Ardina de Ouro da categoria “Associativismo”, facto tanto mais significativo quanto concorria com associações de peso e historial, como os Leões do Ferro e o Arões Sport Clube.

Fantástico!

O presidente do Núcleo de Artes e Letras de Fafe recebeu o troféu das mãos do pároco de Fafe, Abel Maia.

Ficámos imensamente satisfeitos pelo reconhecimento dos leitores daquele jornal em relação ao trabalho feito em prol das letras, das artes e da cultura de Fafe.



Obrigado a todos.

ASSEMBLEIA GERAL DO NALF APROVOU DOCUMENTOS ESTRUTURANTES


A Assembleia geral do Núcleo de Artes e Letras de Fafe reuniu, na noite da passada sexta-feira, 28 de Março, na sua sede social, aprovando os documentos estruturantes da vida da colectividade, concretamente o Plano de Actividades e Orçamento para 2014 e o relatório e contas da gerência do ano findo.
Os documentos foram aprovados por unanimidade dos associados presentes, tendo ainda sido aprovado um voto de louvor à Direcção pelo resultado do seu trabalho, que culminou na recente atribuição do “Ardina de Ouro” do jornal Notícias de Fafe para a categoria “Associativismo”, o qual foi apresentado aos sócios.
Para o ano em curso, há duas actividades que já transcorreram: a colaboração nas V Jornadas Literárias de Fafe e a publicação da antologia poética ”Cintilações da Sombra 2”, apresentada no passado dia 19 de Maro em Fafe e no dia 21 em Lisboa.
Está ainda prevista a edição das actas do II Curso Livre de História Local sobre a temática da guerra colonial, bem como a publicação da obra premiada no âmbito do “Prémio de Poesia Soledade Summavielle”, para obras originais e inéditas. Igualmente se prevê a edição de uma colectânea de textos e ilustrações dos associados da colectividade.
Estão ainda previstos outros eventos culturais, sendo um relacionado com os 40 anos do 25 de Abril, outro de evocação de Camilo Castelo Branco e outro mais para o final do ano sobre uma personalidade literária fafense.

sábado, 15 de março de 2014

NÚCLEO DE ARTES E LETRAS DE FAFE E LABIRINTO EDITAM ANTOLOGIA PARA COMEMORAR O DIA MUNDIAL DA POESIA


Chama-se Cintilações da Sombra 2 a antologia poética que a Editora Labirinto e o Núcleo de Artes e Letras de Fafe editam em conjunto, pelo segundo ano consecutivo, para comemorar o Dia Mundial da Poesia do ano em curso.
O lançamento público da obra ocorre na noite do próximo dia 17 de Março, em Fafe, no âmbito das V Jornadas Literárias, que arrancam nesse dia e no dia 21 de Março, em Lisboa.
Esta segunda-feira, 17 de Março, pelas 21h30, no Teatro-Cinema de Fafe, é apresentada a antologia poética pelo professor César Freitas, do Instituto de Estudos Superiores de Fafe.
Na ocasião, haverá leitura de poemas por actores do projecto “Fafe Cidade das Artes”, bem como pelos autores locais que participam na antologia (Acácio Almeida, Artur Coimbra, Carlos Afonso e Pompeu Martins).
A sessão começa com a actuação do Coro de Pais e Amigos da Academia de Música José Atalaya e finaliza com uma representação teatral de um conto de Mia Couto por alunos da Escola Secundária. A entrada é livre.
 
Em Lisboa, a antologia é apresentada no Auditório Maestro Frederico de Freitas da Sociedade Portuguesa de Autores, no próprio Dia Mundial da Poesia. A apresentação é da responsabilidade do escritor e crítico literário António Carlos Cortez e do escritor Victor Oliveira Mateus (coordenador da antologia), e conta com leitura de poemas pela actriz Eugénia Bettencourt.
 
Esta Antologia conta com a colaboração de poetas dos seguintes países e territórios: Portugal, Brasil, Moçambique, Macau, Espanha, Costa Rica e Bulgária.
Autores que integram a obra: Adalberto Alves, Albano Martins, Alfredo Pérez Alencart, Alice Fergo, Alice Vieira, Amadeu Baptista, Ana Luísa Amaral, Ana Maria Puga, Ana Zanatti, António Carlos Cortez, António José Queirós, António Salvado, Artur Coimbra, Astrid Cabral, Carlos Afonso, Carlos Vaz, Cecília Barreira, Cláudio Lima, daniel gonçalves, Delmar Maia Gonçalves, Ernesto Rodrigues, Gabriela Rocha Martins, Gisela Ramos Rosa, Gonçalo Salvado, Henrique Manuel Bento Fialho, Inês Lourenço, Inez Andrade Paes, Isabel Miguel, Ivone Mendes da Silva, Jaime Rocha, João de Mancelos, João Rasteiro, Jorge Velhote, José Acácio Almeida, José Agostinho Baptista, José Ángel Garcia Caballero, José do Carmo Francisco, José Emílio-Nelson, José Jorge Letria, José Manuel Teixeira da Silva, Juan Carlos Olivas, Licínia Quitério, Luís Filipe Sarmento, manuel a. domingos, Manuel Silva-Terra, Marcela Filippi Plaza, Marcus Fabiano Gonçalves, Maria Augusta Silva, Maria do Rosário Pedreira, Maria João Cantinho, Maria Toscano, Marta López Vilar, Miguel Veyrat, Paulo Franchetti, Pompeu Martins, Ricardo Domeneck, Ricardo Gil Soeiro, Ronaldo Cagiano, Rui Rocha, Rui Tinoco, Santiago Aguaded Landero, Teresa Rita Lopes, Vera Lúcia de Oliveira, Vergílio Alberto Vieira, Victor Oliveira Mateus e Violeta Boncheva.
A capa e fotografia da capa são da autoria de Nuno Ascensão.

terça-feira, 4 de março de 2014

Núcleo de Artes e Letras de Fafe atribui o Prémio de Poesia Soledade Summavielle


 

A primeira edição do Prémio de Poesia Soledade Summavielle,  instituído pelo Núcleo de Artes e Letras de Fafe, em parceria com a Editora Labirinto e que tem como propósito estimular a criação literária, bem como o aparecimento de novos autores, acaba de ser atribuído ao poeta Paulo Carreira pelo seu original “Árvore Genealógica”.
Analisados os dezasseis originais concorrentes, apresentados sob pseudónimo e com um mínimo de 30 poemas, o Júri deliberou, por unanimidade, atribuir o prémio àquela obra, apresentada sob o pseudónimo “Ramos de Oliveira”, por se tratar de “uma obra de grande consistência, marcada pela riqueza poética, pela circularidade da memória, um exercício sobre a recordação, a vida, a família, os livros, evocando um espaço e um tempo do passado. A obra, com uma linguagem emotiva, de base telúrica, assume uma construção discursiva literária, ligada aos sentidos. Enfim, uma obra orgânica, assinalada pelo valor de cada poema integrado na grandeza do todo”.
O autor nasceu em 1965 e é morador na vila da Batalha, tendo já recebido diversos prémios literários, em poesia, romance e conto.
O júri deliberou ainda atribuir uma menção honrosa ao original com o título “Elogios. Elegias”, do escritor e poeta Cláudio Lima, residente em Braga, “pela novidade da construção literária apresentada, em torno de discursos de homenagem a grandes nomes da cultura e particularmente da literatura, numa linguagem original e que nos remete para um novo olhar sobre cada um dos autores referenciados”.
O júri integrou Artur Coimbra, em representação do Núcleo de Artes e Letras de Fafe, a que preside; Carlos Afonso, escritor e professor na Escola Secundária, em representação da editora Labirinto e César Freitas, professor no Instituto de Estudos Superiores de Fafe, como personalidade de reconhecida competência na área literária, nos termos do regulamento.
De carácter bienal, este concurso destina-se a promover a escrita criativa, bem como lembrar e homenagear a poetisa fafense Soledade Summavielle e a Poesia, em geral. 
O Prémio tem o valor de 500€ e pressupõe ainda a edição da obra com a chancela da Editora Labirinto, a qual será apresentada oportunamente.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Ângelo Santos estreou-se na poesia










 
Na sexta-feira passada, foi apresentado na Biblioteca Municipal de Fafe o novo livro do nosso associado Ângelo Santos, neste caso de poesia, com o título "Por Fora dos Trilhos".
Ângelo Santos estreou-se literariamente em 2011 com o romance "Do Éden ao Inferno", já em segunda edição.
A obra foi apresentada por José Emídio Lopes, também natural de Cepães e encheu pr completo o audotírio da Biblioteca.

"Por fora dos trilhos": uma obra entusiasmante, com uma estrutura soberba, na qual Ângelo Santos, através da poesia, nos mergulha nas profundezas daquilo que mais importante existe.

João Ângelo Freitas Santos, nasceu em 31 de Agosto de 1963, na freguesia de Cepães, concelho de Fafe, onde ainda reside.
Terminou o Ensino Secundário em 1982. Cumpriu o serviço militar obrigatório em 1984.
Entre 1988 e 1995 foi chefe dos Serviços Administrativos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fafe. Desde 1995 que exerce funções como bancário numa instituição financeira. Casado e pai de duas filhas.

Integra desde este ano o Núcleo de Artes e Letras de Fafe como sócio efetivo.
 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Fafe – História, Memória e Património”: apresentação é sexta-feira na Biblioteca Municipal

 

 
Na próxima sexta-feira, 13 de dezembro, a partir das 21h30, no Auditório da Biblioteca Municipal de Fafe, tem lugar a sessão de apresentação pública da obra “Fafe – História, Memória e Património”, com texto de Daniel Bastos, associado do Núcleo de Artes e Letras de Fafe, fotografias de José Pedro Fernandes e tradução de Paulo Teixeira.
 
A obra, com a chancela da editora CONVERSO, em edição trilingue (Português, Francês e Inglês), tem prefácio do fotógrafo francês Gérald Bloncourt e será apresentada pelo arquiteto e urbanista, Renato Gama-Rosa, do Departamento de Património Histórico/Casa de Oswaldo Cruz / Fundação Oswaldo Cruz – Rio de Janeiro / Brasil.

O livro, que constitui um cartão-de-visita para todos os que queiram conhecer e visitar o concelho de Fafe, procura transmitir uma imagem global e fundamentada da evolução do território, das origens à atualidade, através de um enquadramento histórico assente numa centena de fotografias originais a preto e branco.

A sessão será antecedida por um momento musical pela Banda Quarto C.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

NÚCLEO DE ARTES E LETRAS HOMENAGEOU SOLEDADE SUMMAVIELLE




 

O Núcleo de Artes e Letras de Fafe promoveu, sábado à noite, no Club Fafense, uma tertúlia literária de homenagem à poetisa fafense Soledade Summavielle, nome maior da poesia portuguesa da segunda metade do século XX, por ocasião dos 106 anos do seu nascimento (07/12/1907) e dos 50 anos sobre a publicação da sua primeira obra, “Sol Nocturno” (1963).
Foi uma noite mágica, num ambiente poético e musical, com um conjunto de actividades em torno da vida e obra de Soledade Summavielle, tendo por tema “As Flores do meu Jardim”.
Soledade Summavielle “regressou” a Fafe, 13 anos depois da sua morte, ocorrida em Fevereiro de 2000, aos 92 anos, e trouxe com ela o seu perfume e sentimentos.
Carlos Afonso, professor da Escola Secundária e director do NALF, começou por enquadrar poeticamente a acção, que continuou com a primeira actuação do Coro de Pais e Amigos da Academia de Música José Atalaya.


Entretanto, Soledade apareceu magicamente na sala repleta de público do Club Fafense, na excelsa figuração de Orlanda Silva, declamando um poema e declarando, enfaticamente, que “foi em Fafe que eu nasci e é neste jardim, no coração do Minho” plantado, que eu quero viver eternamente…”.

 
 
 
 
 
 
 
 

Artur Coimbra, presidente do Núcleo de Artes e Letras, interveio para abordar, num primeiro momento, a longa existência de Soledade dedicada inteiramente à arte e sobretudo à sua faceta de cantora lírica, a menos conhecida da sua obra, conquanto tenha atingido nela elevada notoriedade a nível nacional.
Lembremos que Soledade cantou no Teatro-Cinema de Fafe (Abril de 1942) e em locais de culto da época: no Teatro S. João do Porto (anos 40), no Salão Nobre do Orfeão do Porto (24 de Maio de 1943), bem como no Teatro Nacional de S. Carlos, em Lisboa, onde interpretou a primeira figura da ópera “Cristal”, do maestro Ruy Coelho, nas comemorações dos 150 anos da inauguração daquele teatro, em Junho de 1943.
Pouco tempo depois actuaria num memorável espectáculo no Monumental Casino da Póvoa de Varzim (23 Agosto de 1943).
A sessão incluiu ainda a apresentação de um documentário sobre a poetisa, por três alunas da Escola Secundária, bem como de uma página na internet abordando a vida, obra, correspondência e iconografia de Soledade Summavielle, da iniciativa da Biblioteca Municipal.
Artur Coimbra voltaria à cena para abordar a poesia de Soledade Summavielle, que publicou uma dezena de livros, entre 1963 e 1991, que a singularizam como uma das vozes mais fortes e sentimentais da poesia portuguesa do século passado.
Além disso, colaborou em diversas antologias poéticas, algumas editadas pelo Núcleo de Artes e Letras nos anos 80, traduziu três obras literárias e publicou duas obras para crianças, nos anos 70.
Foi referido ainda que o Cenáculo Artístico e Literário “Tábua Rasa” distinguiu--a, em 21 de Janeiro de 1971, com um jantar de homenagem a que se associaram figuras altamente representativas das artes e das letras: Hernâni Cidade, Natália Correia, Natércia Freire, João Maia, entre outros, o que confere dimensão nacional à nossa poetisa.
Analisaram e enalteceram a sua poesia figuras cimeiras da literatura nacional, como Jacinto do Prado Coelho, João Gaspar Simões, Luís Forjaz Trigueiros, Ferreira de Castro, António Quadros, João de Araújo Correia, Mário António, Guedes de Amorim e Amândio César, entre outros.
A crítica sublinhou em Soledade Summavielle, uma profunda sensibilidade e uma enérgica recusa a tudo quanto não corresponda à sua vibrante sinceridade do Poema.
O escritor e crítico António de Sèves Alves Martins, escreveu, em 1984, no jornal Novo Século, a propósito da poetisa: “Mulher, esteta, conseguida no encontro do equilíbrio entre o sonho e a realidade, conhecedora e amante do bom e do belo, alma repleta de acontecimentos, hábil na utilização do verbo, sincera na expressão do sentir, não admira que Soledade Summavielle ocupe na Poesia um lugar de relevo, lugar de poeta maior”.
Artur Coimbra relembrou ainda que Soledade Summavielle nunca se esqueceu da sua terra. Aqui regressava amiudadas vezes para rever o seu território, a sua casa, os seus amigos, enfim, as próprias raízes que são o sustento e o sentido da Vida e da Poesia.
Escreveu belíssimos textos sobre a sua casa e a sua terra.
Será de referir que, no seu testamento, deixou donativos para diversas instituições fafenses, concretamente, Bombeiros Voluntários, Grupo Nun’Álvares, Banda de Golães, Banda de Revelhe, Conferência de S. Vicente de Paulo e Cercifaf.
A sessão incluiu ainda leitura de poemas da autora, testemunhos de amigos e familiares, entremeados por momentos musicais (piano e canto, flauta, clarinete e actuação do Coro de Pais e Amigos da Academia de Música José Atalaya, sob a direcção do Prof. Tiago Ferreira).


Uma noite mágica, sem dúvida.
Soledade Summavielle, onde quer que esteja, seguramente adorou a festa e o tributo que o Núcleo de Artes e Letras dedicou à sua longa vida e fantástica obra!

(Fotos: Manuel Meira)
 

domingo, 1 de dezembro de 2013

NÚCLEO DE ARTES E LETRAS DE FAFE EVOCA VIDA E OBRA DE SOLEDADE SUMMAVIELLE

 
O Núcleo de Artes e Letras de Fafe promove uma tertúlia literária de homenagem à poetisa fafense Soledade Summavielle, por ocasião dos 106 anos do seu nascimento (07/12/1907) e dos 50 anos sobre a publicação da sua primeira obra, “Sol Nocturno” (1963).
O evento tem por título “As Flores do meu Jardim” e realiza-se este sábado, dia 07 de Dezembro, no Club Fafense, a partir das 21h30, com um conjunto de actividades em que será evocada a vida e obra de Soledade Summavielle.
A sessão consta da leitura e declamação de poemas da autora, por Artur Coimbra, Carlos Afonso, Acácio Almeida, entre outros, a encenação da vida e da figura de Soledade, pela professora Orlanda Silva, entremeada por momentos musicais (piano e canto, flauta, clarinete e actuação do Coro de Pais e Amigos da Academia de Música José Atalaya, sob a direcção do Prof. Tiago Ferreira).
O evento inclui ainda a apresentação de um documentário sobre a poetisa, por alunas da Escola Secundária, bem como de uma página na internet sobre Soledade Summavielle, da iniciativa da Biblioteca Municipal.
Soledade Summavielle foi cantora lírica e ceramista, mas seria na poesia que mais se salientaria a sua actividade artística. Publicou uma dezena de obras que a singularizam como uma das vozes mais fortes e sentimentais da poesia portuguesa.
A poetisa faleceu em Lisboa, onde viveu grande parte da sua vida, no dia 7 de Fevereiro de 2000.

domingo, 24 de novembro de 2013

CURSO DE HISTÓRIA LOCAL SOBRE A GUERRA COLONIAL CONCLUIU COM ÊXITO







O II Curso Livre de História Local de Fafe, sobre o tema da Guerra Colonial (1961-1974), e que foi promovido pela Núcleo de Artes e Letras de Fafe ao longo de mais de um mês, na Biblioteca Municipal, chegou ao seu termo.

O quinto e último módulo foi orientado por Artur Coimbra, presidente da associação organizadora, e abordou o tema “Memórias Literárias da Guerra Colonial”.

Sabendo-se que, desde que existe guerra, há literatura alusiva, o orador salientou que a literatura portuguesa é deficitária nesse tipo de escrita. Só a Guerra de África é que veio agitar as águas da criação literária e da investigação histórica, levada a efeito sobretudo após o 25 de Abril.

Refere-se a existência de mais de seis dezenas de romances em que o conflito que martirizou uma geração de portugueses é tema e duas centenas em que é subtema ou forte referência, para lá das manifestações sobre a guerra em todas as outras disciplinas literárias.

Artur Coimbra aludiu à existência de inúmeras obras de referência e contextualização histórica, subscritas por uma legião de investigadores e historiadores, desde José Freire Antunes a Álvaro Guerra, passando por Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Dalila Cabrita Mateus.

Já na poesia e na ficção, há imenso textos de autores mais ou menos conhecidos, que abordaram o fenómeno da guerra em África, sob diferentes perspectivas, desde António Lobo Antunes a Manuel Alegre, Mário de Carvalho, Álvaro Guerra, Lídia Jorge e Carlos Vale Ferraz (pseudónimo literário de Carlos Matos Gomes), o celebrado autor de um dos romances mais emblemáticos sobre o tema, Nó Cego.

Artur Coimbra desceu depois à realidade de Fafe, abordando a poesia e a crónica que os combatentes iam disseminando pelos jornais locais, em especial o Notícias de Fafe e o Povo de Fafe.

Em livro, apenas Domingos Gonçalves (3 volumes), que esteve presente nesta sessão e deu o seu testemunho, e Alberto Alves (contos) deixaram os testemunhos da sua passagem pela Guiné nos anos 60.

Mas na poesia deixaram o seu nome ligado ao tema autores como Almeida Mattos, Acácio Almeida, Artur Leite, Domingos Gonçalves e José Salgado Leite, entre outros.

No final, houve ainda espaço para uma breve intervenção de Jaime Silva, a complementar a sua anterior e para a entrega dos diplomas aos participantes nesta formação.

Além de Artur Coimbra, intervieram como oradores nesta formação José Manuel Lages, director científico do Museu da Guerra Colonial, os ex-combatentes Jaime Silva e Artur Magalhães Leite e o historiador Daniel Bastos (estes dois, membros da direcção da NALF).

Um curso que correu muito bem, com a presença permanente de quatro dezenas de participantes, na sua grande maioria ex-combatentes da guerra em África.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Revista “Perfil”: Uma pedrada no charco literário de Fafe (e da região) há mais de duas décadas



Uma das primeiras e mais significativas iniciativas do Núcleo de Artes e Letras de Fafe foi o lançamento da revista Perfil, de que saíram dois números, que primaram pela qualidade das suas colaborações e que são hoje objecto histórico de colecção.
O número inaugural foi lançado em 27 de Fevereiro de 1992, já lá vão mais de 21 anos, em sessão que decorreu na Casa Municipal de Cultura. Assumido como “vontade e expressão de descentralização cultural, querendo identicamente reafirmar que a província é, hoje, lugar conde as letras e as artes vicejam e a identidade se descobre e revela”, escrevíamos em nota de abertura.
Valorizava a revista o ineditismo dos textos e imagens.
Aquele número incluiu a colaboração de nomes grandes das letras nacionais, inolvidáveis “amigos de Fafe” que nos deram a honra de participar: Eugénio de Andrade, Mário Cláudio, Victor de Sá, António Aragão, Ana Hatherly, E. M. de Mello e Castro, Fernando Guimarães, José Augusto Seabra, José Manuel Mendes, Papiniano Carlos e Vergílio Alberto Vieira.
Da parte do Núcleo de Artes e Letras, de referir a colaboração dos poetas e escritores Almeida Mattos, Artur F. Coimbra, Aureliano Barata, José Salgado Leite, Manuel Ribeiro, Paula Nogueira, Pompeu Miguel Martins e Soledade Summavielle, bem como dos artistas Ana Stingl, António Santana, Belmira Guimarães, Dario Gonçalves, João Artur Pinto e Orlando Pompeu.
“Poesia e prosa, crónica e ensaio e até tradução. E algumas ilustrações. Linguagens diferentes, plásticas diversificadas, estilos muito próprios e individualizados. Um todo poliédrico sobre uma pluralidade de dizeres” – sublinhávamos ainda na introdução.
 
 
 
 
Com capa sobre um desenho do pintor João Paulo, a revista contou com os apoios da Câmara Municipal de Fafe, Governo Civil de Braga (numa altura em que ainda havia governos civis em Portugal e em que eles ainda apoiavam alguma coisa a actividade cultural…), a Junta de Freguesia de Fafe e três empresas.
A apresentação esteve a cargo do presidente do NALF, Artur Coimbra, enquanto a associada Paula Nogueira declamou alguns poemas da revista, com acompanhamento musical de fundo por outro associado, José Salgado Leite.
 
 
Com 88 páginas, a revista Perfil 1, da qual foi feita uma tiragem de 1000 exemplares e custava 500$00 (cerca de 2,5 €, na moeda actual), seria ainda apresentada no Paço dos Duques de Bragança (Guimarães), na Cooperativa Árvore (Porto) e no Museu Nogueira da Silva (Braga).
Quatro anos após o primeiro número, em 1996, Perfil regressou ao convívio dos leitores, quando as condições se criaram “para repetir a faustosa experiência”.
Com o formato e as características do número inicial, Perfil 2 insistia no “propósito primeiro de dar voz aos autores locais”, enriquecendo o seu conteúdo e interesse com a colaboração de “valores literários consagrados”.
 
Por isso, sem sujeições temáticas ou espartilhos formais, a revista assumia-se, uma vez mais, como “espaço de liberdade: para os autores e para os leitores”.
Neste número, colaboraram, na poesia, Artur F. Coimbra, Benedita Stingl, José Emílio-Nélson, José Manuel Mendes, Fátima Gonçalves, Nélson Fafe, Papiniano Carlos e Vergílio Alberto Vieira.
Na crónica, colaboraram Paulo Fafe e Soledade Summavielle, enquanto na ficção publicámos textos de Alberto Oliveira Ponto, Ana Hatherly, Arsénio Mota, José Abílio Coelho e Salgado Leite.
Na área dos “estudos”, realce para textos de Aureliano Barata, Henrique Barreto Nunes e Pompeu Miguel Martins.
Finalmente, destacam-se as ilustrações dos artistas Ana Stingl, Avelino Rocha, Belmira Guimarães, Carminda Andrade, Gouveia Rocha, Orlando Pompeu e Victor Guimarães.
Com 80 páginas, este número teve a tiragem de 500 exemplares e o preço de capa de 750$00 (3,5 €, na moeda actual).
Foi o último número desta experiência que teve, na época, o seu encanto!
 

domingo, 17 de novembro de 2013





O II Curso Livre de História Local, sobre a Guerra Colonial, que o Núcleo de Artes e Letras de Fafe está a organizar desde há um mês, chega ao fim na próxima quinta-feira, 21 de Novembro, dia em que Artur Coimbra aborda o tema “Memórias Literárias da Guerra Colonial”.

A sessão decorre na Biblioteca Municipal, entre as 18h30e as 20h00 e culmina com a entrega dos diplomas de participação.

Na penúltima sessão, o historiador Artur Magalhães Leite abordou as causas da guerra (principalmente em Angola) e da vida no quartel.

Sobre as causas próximas do conflito sangrento que marcou uma geração de jovens portugueses entre 1961 e 1975, com a guerra, a morte e o sofrimento, referiu a infiltração de elementos subversivos com influência nos nativos, a exploração do trabalho com fracos recursos, a reduzida valorização na compra do algodão e outros produtos, a repressão policial, a continuação dos maus tratos infligidos pelos colonos aos naturais e o surgimento do MPLA, em 1960.

Abordou a mortandade na baixa do Cassange produzida pela força aérea portuguesa, com o uso de bombas incendiárias de napalm e outros desfolhantes químicos, na sequência da revolta dos guerrilheiros da UPA., em 11 de Janeiro de 1961 e que provocou praticamente o início da guerra colonial. “A carnificina não teve paralelo na história da guerra colonial, estimando-se em sete a dez mil mortos” e a destruição de 17 aldeias, sublinhou Artur Leite.

O início oficial da guerra em Angola relaciona-se com o ataque de guerrilheiros da UPA (União das Populações de Angola), chefiada por Holden Roberto, à Casa de Reclusão Militar, na madrugada de 3 para 4 de Fevereiro de 1961, com a intenção de libertarem uns presos que iam ser transferidos para o Tarrafal. Mataram quatro guardas e ficaram com as armas destes. Seguem-se mais ataques nos dias seguintes com mortes e feridos e com os brancos e milícias civis a invadirem os musseques e a chacinar a eito.

A 15 de Março de 1961, dá-se o massacre dos fazendeiros, colonos e bailundos: a guerra está oficialmente aberta entre os portugueses e os nacionalistas angolanos.

Seguem-se episódios sangrentos como a conquista de Nambuangongo, em Agosto, na chamada “Operação Viriato”.

Artur Leite abordou ainda o múltiplo nacionalismo dos brancos de Angola, os interesses sociais e políticos dos dirigentes da guerrilha e acção psicológica do exército português, designadamente ao nível da escola, da enfermaria, da comida e outras, de forma a evitar a divisão entre brancos e negros, impor a disciplina nas população e a formar milícias e voluntários.

Dezenas de diapositivos e fotografias enriqueceram uma apresentação que foi esclarecedora e trouxe imensa informação aos participantes no curso.